Antígona Recortada

Duas antígonas recortadas, constituídas de partes desconexas.
Resultado direto de décadas, onde a luta de classes e o tema dos direitos desenham a realidade brasileira direta ou narrando a própria história em fragmentos, percorrendo diferentes épocas, evocada pela dramaturgia sonora que as arremessa numa linha temporal, onde os conflitos da trama são situados cada um, em um emblemático momento histórico.

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Antígona Recortada

GALÁXIAS de HAROLDE DE CAMPOS

GALÁXIAS

e começo aqui
e meço aqui este começo
e recomeço
e remeço
e arremesso
e aqui me meço
quando se vive sob a espécie da viagem
o que importa não é a viagem
mas o começo da

por isso meço
por isso começo
escrever mil páginas
escrever milumapáginas
para acabar com a escritura
para começar com a escritura
para acabarcomeçar com a escritura

por isso recomeço
por isso arremeço
por isso teço
escrever sobre escrever é o futuro do escrever
sobrescrevo
sobrescravo
em milumanoites
miluma-páginas
ou uma página em uma noite que é o mesmo
noites e páginas mesmo
ensimesmo
onde o fim é o comêço
onde escrever sobre o escrever
é não escrever sobre não escrever

e por isso começo
descomeço pelo descomêço
desconheço
e me teço
um livro onde tudo seja fortuito e forçoso
um livro onde tudo seja
não esteja
seja
um umbigodomundolivro
um umbigodolivromundo
um livro de viagem
onde a viagem seja o livro
o ser do livro é a viagem

por isso começo pois a viagem é o começo
e volto e revolto pois na volta recomeço
reconheço remeço
um livro é o conteúdo do livro
e cada página de um livro é o conteúdo do livro
e cada linha de uma página e cada palavra de uma linha
é o conteúdo da palavra da linha da página do livro
um livro ensaia o livro
todo livro é um livro de ensaio
de ensaios do livro

por isso o fim-comêço começa e fina
recomeça e refina
se afina o fim no funil do comêço
afunila o comêço no fuzil do fim
no fim do fim recomeça o recomêço
refina o refino do fim
e onde fina começa e se apressa e regressa e retece
há milumaestórias na mínima unha de estória
por isso não conto
por isso não canto
por isso a nãoestória me desconta ou me descanta
o avesso da estória
que pode ser escória
que pode ser cárie
que pode ser estória
tudo depende da hora
tudo depende da glória
tudo depende de embora

e nada
e néris
e reles
e nemnada de nada
e nures de néris de reles de ralo de raro
e nacas de necas
e nanjas de nulus e nures de nenhures
e nesgas de nula res
e nenhumzinho de nemnada nunca
pode ser tudo
pode ser todo
pode ser total
tudossomado todo
somassuma de tudo
suma somatória do assomo do assombro

e aqui me meço e começo e me projeto
eco do comêço
eco do eco de um começo em eco
no soco de um comêço em eco
no oco eco de um soco
no osso
e aqui ou além ou aquém ou lá acolá
ou em toda parte ou em nenhuma parte
ou mais além ou menos aquém ou mais adiante ou menos atrás
ou avante ou paravante ou à ré ou a raso ou a rés
começo
re começo
rés começo
raso começo

que a unha-de-fome da estória
não me come não me consome não me doma
não me redoma
pois no osso do comêço só conheço o osso
o osso buco do comêço
a bossa do comêço onde é viagem
onde a viagem é maravilha de tornaviagem
é tornassol viagem de maravilha
onde a migalha
a maravilha
a apara
é maravilha
é vanilla
é vigília
é cintila de centelha
é favilha de fábula
é lumínula de nada
e descanto a fábula
e desconto as fadas
e conto as favas
pois começo a fala

HAROLDO DE CAMPOS

A MÁQUINA DE DAR CERTO – PARTE II

 

NÃO PERCAM !!!!

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MÁQUINA DE DAR CERTO, da Cia. Bruta de Arte.
Direção: Roberto Audio.
Temporada até 19 de maio de 2012. Sábados, 23h59.
Espaço Parlapatões – Praça Roosevelt, 158, São Paulo. 3258-4449. R$ 30.
Vendas pela internet: http://www.ingressorapido.com.br/Evento.aspx?ID=19982

SOBREMUNDO – DE PASSAGEM

Seguindo ainda a premissa de obter imagens refletidas e translúcidas
no mesmo fotograma, este trabalho em Preto&Branco, realizado no metrô paulistano, visa mostrar com certa dramaticidade, como reaje (e registra)
um olhar bombardeado por uma imensa quantidade de informação.
Por estarmos apenas DE PASSAGEM, sempre, fazemos questão de não registra-las.

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Giorgio D´Onofrio

SOBREMUNDO – ENTREMEIOS

OS MEIOS QUE TRANSITAM EM NOSSAS MENTES

Os Meios que sentimos possuem conteúdos particulares,
sejam literaturas, sonoridades ou imagens, porém cada
um com seus signos.

As informações coletadas sensitivamente pelo demais, como o tato,
o olfato, o paladar, nos fornecem filtros interpretativos da realidade,
e assim atualmente resumamos nossas verdades em imagens.

Embora tornem-se holofotes ou brisas às nossas percepções,
estão latentes em nosso subconsciente sem que as percebemos.

Esta linguagem da imagem (se assim podemos chamar),
entretanto, tem seus significados específicos
, seja pelo meio apresentado, seja pela analise desejada
seja pela nossa história de vida.

Sem sabermos ao certo como se forma em nossa mente e
como a empregamos para compreender o mundo,
esta linguagem da imagem resulta de encontros entre
as memórias que permeiam nossa mente.

Podemos tentar apagar certas lembranças,
mas sempre carregamos as imagens da nossa historia.

REALIDADES ATEMPORAIS

Sentir uma imagem, é criar uma realidade,
dentre as muitas possíveis.

Para ser mais sincero, esta foto não foi feita,
com efeitos especiais ou recursos digitais.

Nada que reflexos em vitrines, não sejam interessantes.

Seja em qual ambiente estivermos,
seremos do modo como nos enchergam,
independentemente do quê somos para nós mesmos,  
embora isto,  já seja um outra imagem/realidade.

Cada objeto, (inclusive as siluetas) assumem uma única imagem
da mesma imagem, isto é : a foto da foto, a análise da análise,
o conceito de um conceito.

E isto que vejo em São Paulo, pessoas, luzes, velocidades, lugares,
permeando-se e sobrepondo-se ao mesmo tempo e espaço.

Quem inventou a Fé ?

1.jpg

Velas, 
A Luz,
Santos
O Homem
Intensões
A Fé

Quem inventou a Fé ?

A que devemos esta Luz, que para uns chama-se Vela,
e que para outros,  chama-se Fé ?De referências em experimentações , o sobrenatural se apresenta
e o Divino faz Sua obra,
Seja ela à Luz da Fé,  ou na dor ofertada aos pés do Santo.

  

Mas ainda preferiria que esta mesma Fé,
que me leva a caminhar horas para pegar uma lata d´água,
me levasse a indignar-me contra aquele que,
pela minha confiança depositada a quatro anos, deveria traze-la até mim.

  

Preferiria que esta mesma Fé,  que não a vejo, 
nem a luz de velas
me fizesse definitivamente não aceitar o descaso
que, à luz do “progresso”,  a terra que hoje planto
desse os mesmos frutos para os meus netos.

  

Sendo assim, ainda prefiro a luz das velas.
Agradeço te Deus ! é verdade…
pois se não reconheço a sua presença,
como poderia sentir o sobrenatural inebriavelmente
no meu próximo ?

Amém
 
 

O QUE FAZER COM AS MÃOS

uma mão

Esta foto ainda me intriga…
Alguns acham feia, – parece mão de morto, dizem.

Ainda não estou morto, pelo menos por enquanto.
Não acho que esta minha mão seja feia, só diferente.

Talvez estaria morto, caso minha mão não pudesse mais
afagar, cumprimentar, plantar ou matar.

Algumas destas coisas minha mão não faz…
infelizmente.

Ganho horas de vida, cada vez que planto e replanto
Não só para mim, mas também para outros.

Seja num vaso, numa praça ou no metrô,
basta um pouco de terra ou um “bom dia”Seja a uma leguminosa ou ao meu vizinho,
minha mão não faz tudo que penso…
Ainda bem, sorte deles!

Sendo feia ou bonita (como esta que escreve),
o que não tem feito com a sua ?

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